I. CONTEXTO E JUSTIFICAÇÃO
A União Africana decretou em fevereiro de 2021, durante a sua 34.ª sessão da
Conferência dos Chefes de Estado e de Governo, a década de 2021-2031 como
sendo a « Década das Raízes e das Diásporas Africanas » (Decisão
Assembly/AU/Dec.807(XXXIV)). Levada pelo Togo, esta iniciativa tem como
objetivo principal reforçar os laços entre África e as suas diásporas em torno de
valores africanos partilhados. Por esta decisão, a organização continental quis
dar a conhecer a condição africana e reabilitar o contributo há muito ocultado do
continente para os grandes ciclos de evolução da Humanidade, salientando
nomeadamente a herança, as injustiças históricas e a dignidade a recuperar.
A liderança assegurada pelo Togo desde o lançamento desta década permitiu,
entre outras coisas, levar a cabo várias atividades e tomar iniciativas, incluindo
a organização de eventos importantes e aglutinadores, tais como os pré-
congressos realizados nas seis (06) regiões da União Africana, os eventos de
alto nível de promoção de causas comuns africanas organizados respetivamente
em Londres, Nova Iorque e Genebra, a promoção da iniciativa « Correct the Map
» que culminou na adoção pela Conferência dos Chefes de Estado e de Governo
da União Africana, da decisão Ref: Assembly/AU/Dec.959 (XXXIX) que adota a
projeção Equal Earth, durante a sua 39.ª sessão realizada em Adis Abeba
(Etiópia), nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2026, e sobretudo a organização do
9.º Congresso Pan-africano em Lomé, no Togo, de 8 a 12 de dezembro de 2025.
Estes eventos deram um novo ímpeto ao movimento pan-africano e constituíram
uma etapa crucial na busca da soberania, da dignidade, da equidade e do
respeito por África.
No entanto, uma busca profunda de orgulho e soberania implica também
reabilitar e promover certos mecanismos e ferramentas ancestrais que regiam a
harmonia e a ação nas sociedades africanas antigas ou pré-coloniais (M.
Assante, 1991). Após a queda e a ocupação definitivas do Antigo Egito, o curso
da história e a nova trajetória ascendente da África foram duradouramente
perturbados pela introdução brutal das razias no espaço africano (W. Chancellor,
2018), pelas deportações maciças (L. M. Diop-Maes, 2025; Inikori, 1992) que
dispersaram tanto para Oeste (para além do Atlântico), para Norte (Europa)
como para Este (península arábica e além) as forças vivas da África, e pela
colonização marcada pela irrupção abrupta de padrões culturais exógenos nos
sistemas de governação social, económica e política das sociedades africanas
(J. Maquet, 1962; J. Ki-Zerbo, 1974; T. A. Singleton, 2017; J. Illife, 2002).
Esta nova África saída do regime escravagista (1444 – 1860), aliás declarado o
maior crime contra a Humanidade em 25 de março de 2026 pela Assembleia
Geral das Nações Unidas através da sua resolução A/RES/80/250, e do regime
colonial (1830 – 1994), permaneceu atolada nos nossos dias num certo
sincretismo cultural, político e económico que, ao manter complacentemente as
estruturas coloniais, impede o continente de se reconstruir de forma decisiva
sobre os fundamentos da sua identidade própria e da sua alteridade singular.
Com efeito, pela sua estraneidade cultural e brutalidade, estas múltiplas
intrusões pararam a evolução, contudo exemplar, das nações de África,
modificaram a natureza da experiência social africana, instauraram novospadrões e ciclos baseados em eventos societais arbitrários, e fizeram perder a
África, na sua diversidade e complexidade, os referenciais que durante milénios
forjaram a sua cosmogonia, a sua ontologia, e ritmaram a sua organização
própria (A. Césaire, 1956). É o caso do calendário gregoriano que, tal como as
fronteiras, foi imposto às nações africanas por meio da colonização. Recorde-se
que, antes da importação deste calendário, África estava constelada, desde a
antiguidade, por diversos e múltiplos sistemas de medição do tempo, uns
baseados em ciclos agrícolas, alguns em fenómenos celestes ou terrestres, e
outros no movimento de astros luminosos, o que deu lugar à existência atestada
de calendários lunares ou solares usados um pouco por todo o continente
africano.
O Antigo Egito, por exemplo, ao observar a relação entre o nascer helíaco de
Sothis (Sirius) e a cheia do Nilo, conseguiu definir o seu calendário solar civil de
365 dias, também chamado calendário nilótico, repartidos em 12 meses de 30
dias cada aos quais se juntavam os 5 dias epagómenos de fim de ano. Este
calendário estava estruturado em torno das três estações seguintes: Akhet ou a
estação das cheias, Peret ou a estação das sementeiras e Shemu ou a estação
das colheitas (C. A. Diop, 1967: G. Lanners, 2006; F. Chabas, 1870). Mas ao
lado destes sistemas manifestamente avançados e mais estáveis, encontramos
também no continente comunidades com uma conceção mais social do tempo,
induzindo a ideia de um tempo mítico e não cronológico (L. V. Thomas, 1961; C.
Sakho, 2018). É este conjunto de experiências complexas de regulação social
pelo tempo e pelos ciclos que a colonização desconstruiu.
Assim, à semelhança das fronteiras lineares que dividiram o continente e cujas
sequelas muitas populações e línguas ainda hoje carregam, o novo calendário
(gregoriano) imposto ignora os ritmos endógenos e os ciclos naturais, culturais
e cultuais consagrados dos povos africanos (B. Davidson, 1964). Instaurou
festas, datas e eventos essencialmente estranhos ao universo cultural e
simbólico africano, seja qual for a microcultura africana considerada, cuja
celebração faz de África o espelho perpétuo de um mundo cujos códigos são
desconhecidos das suas populações, e o teatro de uma intensa troca inter-
civilizacional onde a sua identidade e os seus particularismos são praticamente
inexistentes. Ora, a imposição de calendário é antes de mais, um instrumento de
poder e um ato de dominação. Aparentemente anódina, esta mutação calendária
sofrida por África silenciou os sistemas locais de contagem do tempo e fez
desaparecer do quotidiano dos povos as referências aos eventos significativos
outrora calibrados sobre ciclos dominados. Seguiu-se uma aculturação mais
pronunciada e uma perda de identidade própria dos Africanos (A. Dogba, 2001)
que, mergulhados num sistema concebido para o espaço ocidental, têm
dificuldade em se adaptar ou em se afirmar.
A Década das Raízes e das Diásporas Africanas oferece, por isso, uma ocasião
para descolonizar os espíritos e as práticas (J.-L. Amselle & S. B. Diagne, 2018;
V.-Y. Mudimbe, 2021) a fim de caminhar para uma abordagem mais afrocêntrica
da divisão e da organização do tempo no espaço africano.
Ela abre o caminho para a redescoberta dos ciclos calendários endógenos e dos
eventos societais maiores correlacionados, e para a reabilitação de um
calendário africano que fixará os tempos e calibrará a marcha do universoafricano segundo uma cosmogonia e um andamento teleológico eminentemente
africanos. A perspetiva da existência de calendários africanos anteriores ao
gregoriano atualmente em uso em África apela vivamente a aprofundar as
reflexões sobre o processo da afirmação da identidade africana e sobre a
valorização do património comum dos povos africanos no mundo.
Num contexto em que África aspira a livrar-se dos farrapos da colonização e de
qualquer outra forma de dominação cultural, para se afirmar como uma potência
autónoma que se autorreferencia, a questão é saber qual poderia ser a data de
celebração do Ano Novo Africano, à semelhança da dos outros povos do mundo
tais como os Chineses, os Europeus, os Israelitas, os Iranianos, etc. que
celebram distintamente o seu Ano Novo. Mas, esta data deverá forçosamente
apoiar-se num calendário cientificamente elaborado que resista aos acasos do
tempo. É por todas estas razões que o Governo togolês se propõe organizar um
colóquio internacional sobre o tema: « Instituição de um calendário endógeno
e celebração do Ano Novo Africano: desafios contemporâneos da unidade
africana, entre história e identidade ».
II. OBJETIVOS DO COLÓQUIO
Este colóquio visa um duplo objetivo: propor um calendário africano a partir de
referências e referenciais históricos e definir uma (ou mais) data(s) para a
celebração do Ano Novo Africano.
Mais especificamente, tratar-se-á de:
• promover a identidade cultural e o renascimento africano;
• fazer o ponto da situação sobre a existência de calendários africanos diferentes
do calendário gregoriano que sejam fundados na história, no pensamento, na
cultura e na identidade africanas;
• avaliar a pertinência desses calendários na perspectiva da busca numenal do
autorreferenciamento africano;
• propor um calendário de referência e consequentemente, uma data para a
celebração do Ano Novo Africano.
III. PROBLEMÁTICA E EIXOS DE COMUNICAÇÃO
1. Problemática e quadro conceptual
O duplo objetivo da proposta de um calendário africano e da celebração do Ano
Novo Africano é um desafio epistemológico novo no campo geral das ciências e
dos estudos africanos. Implica geralmente um recurso rigoroso à erudição
científica africana e releva, no que diz respeito à escolha do dia exato do Ano
Novo, da arbitragem dos debates de especialistas que terão lugar no quadro do
colóquio. A busca numenal que subjaz à aspiração de adotar um sistema de
contagem e de medição do tempo próprio de África, é fundamentalmente a da
construção e da afirmação da identidade africana. Este assunto, cuja
complexidade é necessário reconhecer, tem a honra de mobilizar disciplinas
diversas que vão desde a matemática avançada à astronomia, passando pela
história e suas disciplinas auxiliares (egiptologia, paleontologia humana,
arqueologia, etc.), a antropologia, a sociologia, a filosofia, a teologia e ametafísica, as relações internacionais, a geografia, as artes, bem como os
saberes endógenos não canonizados no corpus universitário moderno.
Trata-se de um verdadeiro desafio epistémico de caráter transdisciplinar onde
diversas expertises serão chamadas a dissecar minuciosamente o objeto central
e a pronunciar-se no quadro de ateliers técnicos e de sessões plenárias sobre
cada um dos problemas periféricos que lhe são conexos.
O regresso às humanidades clássicas negro-africanas, nomeadamente as egito-
nubianas, aparece como uma passagem justa e inevitável nesta busca, na
medida em que consagra a consciência da África de hoje da herança complexa
e gloriosa da África de ontem. Este recuo intelectual estratégico marca com
efeito, mesmo que tardio, o reconhecimento coletivo e a apropriação pela África
de 2026 dos resultados do Colóquio do Cairo de 1974 relativos à anterioridade
da civilização egito-nubiana considerada desde então negro-africana e não
oriental (D. Gnonsea, 2003). Destina-se além disso a recordar as aquisições
científicas sobre a precocidade da África negra nos domínios da ciência (M.
Bernal, 1996; 1999; M. Brunet, 2016), que fazem do continente africano não só
o Berço da Humanidade mas também da civilização. Esta pesada e preciosa
herança, aliás frequentemente esquecida pelas historiografias africanas pós-
independências, deve ser atualizada no quadro deste colóquio. É o verdadeiro
suporte moral do mesmo. É também o principal elemento legitimador da
pretensão africana a reabilitar os seus tempos, os seus calendários, a propor
uma data para a celebração de um Ano Novo, e representa o primeiro campo de
conhecimentos que o colóquio será chamado a explorar.
Em seguida, deve-se reconhecer que a celebração anual de um Ano Novo em
África não pode ser concebida sem olhar para as consideráveis repercussões
que ela poderia ter sobre o processo de construção e afirmação da identidade e
da unidade africanas. Com efeito, o Ano Novo será o primeiro evento festivo
popular tipicamente africano que poderia reunir em comunhão os povos
africanos, desde que África perdeu a iniciativa histórica. Contribuirá
inevitavelmente também para marcar na consciência africana contemporânea e
aos olhos de todos, a unidade cultural do mundo negro (C. A. Diop, 1982). Neste
sentido, a iniciativa é altamente prospetiva, até estratégica, na medida em que
abalará lugares fortes bem como certas estruturas da dominação estrangeira
que África sofre. Existe por conseguinte uma relação estreita de funcionalidade
entre a proposta do calendário e a celebração do Ano Novo, por um lado, a
identidade e a unidade africanas, por outro.
É esta outra dimensão da problemática que dispõe o colóquio e os seus
participantes a explorar as teorias da identidade africana, a fazer a exegese das
estruturas exógenas que comprometem a redescoberta da identidade e a
expressão da alteridade africana, a analisar os diferentes programas de essência
cultural até aqui implementados nos níveis nacional e pan-africano no quadro
específico do desafio identitário, e a elaborar enfim pistas práticas que
garantiriam uma aceleração notável do processo de reconstrução e afirmação
da identidade africana através da proposta do calendário e da fixação de uma
data para o Ano Novo Africano.Mas para além destas duas primeiras questões periféricas, a saber, a
anterioridade das civilizações africanas no domínio das ciências, e o problema
da identidade e da unidade africanas, há a questão do calendário propriamente
dito cujo exame continua a ser a condição sine qua non para qualquer fixação
da data do Ano Novo.
Do ponto de vista problemático, ela será declinada em duas questões: primo, o
legado preciso das civilizações africanas no domínio da contagem do tempo e
da elaboração de calendários (C. A. Diop, 1954; H. Andrillat, 1997, p. 71-89);
secundo, a escolha da data do Ano Novo. Se a primeira remete para uma
escavação minuciosa do passado para efeitos de recenseamento, análise,
compreensão e comparação dos diferentes sistemas calendários já utilizados ou
em experimentação em África, a segunda, pelo contrário, requer um exercício
mais técnico feito de cálculos e considerações astronómicas, num contexto de
arbitragens aprofundadas sobre o calendário a adotar e sobre a(s) possível(eis)
data(s) do Ano Novo a reter.
2. Os eixos de contribuição
A problematização faz emergir um conjunto de quatro (04) eixos
correspondentes às quatro dimensões supramencionadas: O colóquio do Cairo
e o contributo do mundo negro para a civilização (1); Princípios, fundamentos e
experiências de divisão do tempo em África: um legado rico e incontornável (2);
A personalidade africana num mundo multipolar e a problemática da identidade
africana (3); O calendário africano e a instituição do Ano Novo Africano (4).
Eixo n.º 1: O colóquio do Cairo e o contributo do mundo negro para a
civilização humana
Neste eixo, serão examinadas as aquisições da egiptologia através, por um lado,
das conclusões do colóquio do Cairo de 1974 que consagrou a vinculação
definitiva da civilização egito-nubiana à África negra (D. Gnonsea, op. cit.), e, por
outro lado, das evoluções dos anos 1980 e 2000 em Paleontologia humana, em
Arqueologia pré-histórica e em Genética, que atestaram sucessivamente a
anterioridade de África, não só no surgimento da humanidade, mas também no
domínio específico da filosofia e das ciências (T. Obenga, 1990). O eixo tem por
objetivo fazer o estado do conhecimento sobre a questão do contributo do mundo
negro para a civilização humana, e fundar, em nome dos princípios da
continuidade histórica e da identidade cultural, a legitimidade da África de hoje a
recorrer às suas próprias recursos intelectuais, morais e técnicos para enfrentar
os desafios da proposta do seu calendário de referência e da fixação de uma
data para a celebração do seu Ano Novo.
As comunicações esperadas cobrirão todos os campos disciplinares adaptados
a este objeto e serão repartidas entre uma sessão plenária e dois ateliers
técnicos. Os subtemas não exaustivos propostos deste eixo são os seguintes:
• *África, berço da humanidade e da civilização. (Plenária n.º 1) *
• *História geral de África: a Unesco e as aquisições do Colóquio do Cairo de
1974. (Atelier técnico n.º 1) *• *Anterioridade das civilizações negras e contributos de África no domínio
específico da filosofia e das ciências. (Atelier técnico n.º 2)
Eixo n.º 2: Princípios, fundamentos e experiências de divisão do
tempo em África: um legado rico e incontornável. *
Este eixo tem por objetivo analisar os diferentes sistemas de divisão do tempo
produzidos pelas civilizações africanas para deles inferir os princípios e as
lógicas, a fim de aperfeiçoar as aquisições que serão mais tarde (último eixo)
tidas em conta aquando da adoção do calendário e da escolha da data do Ano
Novo.
África possui de longe o mais antigo património de conhecimentos astronómicos
do mundo e a maior diversidade experimental em matéria de divisão do tempo e
de fixação de calendários. Ainda hoje a Etiópia, antiga Axum, filha de Kush e
herdeira da civilização egípcia, possui e utiliza oficialmente o seu próprio
calendário. Mas para além da Etiópia, há muitos outros vestígios de calendários
que não são, certamente, adotados pelos governos dos países que os herdaram,
mas que existem, e que não são apenas produto de receitas empíricas. É o caso,
por exemplo, do calendário dogon que continua a atrair as curiosidades da
ciência moderna pela exatidão das suas premissas e pela perfeição do seu
alinhamento na maioria dos fenómenos cósmicos sempre difíceis de definir. Mas
para além destes dois casos que serão idealmente analisados no quadro deste
eixo, há o calendário egípcio dito nilótico, o mais antigo e mais aperfeiçoado dos
calendários do mundo, que representa um legado incontornável da erudição dos
Africanos da Antiguidade. É deste calendário que o especialista alemão Otto
Neugebauer escrevia na sua obra intitulada The exact sciences in Antiquity que
ele é « the only intelligent calendar which existed in human history » (1609).
Assim, contrariamente aos lugares-comuns, no domínio da contagem do tempo
também África continua pioneira. Ela deixou à Humanidade, mas também a si
mesma um legado singular e multiforme de calendários e práticas astronómicas
que farão no quadro deste eixo o objeto de recensão, análise e comparação,
para deles compreender os mecanismos, os princípios bem como as
considerações numenais e teológicas que os subjazem.
Este eixo é eminentemente técnico e será animado por contribuidores
especialistas e por especialistas universitários ou não de qualquer sistema de
contagem de tempo objetivável que seja ou de qualquer calendário africano
conhecido. No quadro deste eixo, alguns projetos de comunicação esperados
compreenderão tanto resumos como os próprios artigos inteiramente redigidos.
Trata-se da Plenária n.º 3 e do Atelier técnico n.º 3. Os contribuidores
concernidos podem, no entanto, trazer ao colóquio qualquer outro elemento,
documentação ou dispositivo empírico ou experimental suplementares
indispensáveis à sua comunicação ou às suas demonstrações em atelier ou em
plenária. Repartidos entre plenária e ateliers técnicos, os subtemas propostos
são:
• *Precocidade de África e das civilizações africanas nos domínios da medição e
da divisão do tempo: o estado da questão. (Plenária n.º 2) *• *Calendários nilótico, Dogon, etíope, e os outros sistemas periféricos de
contagem do tempo em questão: compreender o legado da África de
ontem. (Plenária n.º 3) *
• *Resumo das aquisições: que princípios fundamentais para a conceção do
calendário africano: entre permanências astronómicas, realidades geopolíticas,
constantes económicas e ciclos sazonais? (Atelier técnico n.º 3) *
• *A questão do calendário africano: pertinência, consistência epistemológica e
sustentabilidade política. (Atelier técnico n.º 4) *
Eixo n.º 3: A personalidade africana num mundo multipolar e a
problemática da identidade africana *
Este eixo é consagrado à identidade africana. Compreende uma plenária e vários
ateliers técnicos. Tem como objetivos passar em revista as teorias da identidade
e da unidade africanas através de considerações antropológicas, políticas e
culturais afetas à soberania africana e ao lugar de África no mundo multipolar
que se desenha. O colóquio propõe-se, por outro lado, através deste eixo,
analisar a relação de funcionalidade entre o projeto do Ano Novo Africano e a
unidade cultural de África. Os diferentes subtemas propostos são:
• *A questão da identidade africana neste mundo multipolar: entre cultura, história
e simbolismos. (Plenária n.º 4) *
• *Afrocentricity, African personality, Black consciousness movement e Negritude:
uma revisão analítica das conceções filosóficas e das teorias da identidade
africana. (Atelier técnico n.º 5) *
• *Identidade e unidade africanas e o projeto do Ano Novo Africano: relações de
funcionalidade, programas culturais e posteridade do colóquio. (Atelier técnico
n.º 6) *
Eixo n.º 4: O calendário africano e a instituição do Ano Novo
Africano *
Este eixo é consagrado aos trabalhos e aos debates que irão culminar nos
principais objetivos do colóquio. Apoia-se nas conclusões e resultados
cumulativos dos três eixos anteriores e representa o momento decisivo do
colóquio. É o quadro final das discussões técnicas para a aprovação de um ciclo
calendário e a escolha de uma ou mais datas do Ano Novo Africano. Está
estruturado numa plenária de restituição e em três ateliers técnicos.
Para os dois primeiros ateliers técnicos (7 e 8), para além dos resumos, os textos
completamente redigidos também serão esperados. Para o último atelier técnico
(9), pelo contrário, apenas resumos serão esperados. Este último atelier
abordará numa abordagem crítica as questões ligadas ao sucesso do projeto na
sua complexidade, examinará a questão das tensões potenciais e das
dificuldades reais de que o projeto poderia padecer, e formulará enfim
recomendações práticas bem como propostas destinadas aos políticos, com a
finalidade de garantir a autoridade científica e a autenticidade dos resultados do
colóquio. Os subtemas propostos estão distribuídos entre plenária e ateliers
técnicos como se segue:• *Calendário africano: que princípios, que modelo, o que reter? (Atelier técnico
n.º 7) *
• *O Ano Novo Africano: fundamentos, razões, especificidades e data. (Atelier
técnico n.º 8) *
• *A questão do calendário africano e a instituição do Ano Novo Africano:
considerações morais, científicas e políticas, para formular
recomendações. (Atelier técnico n.º 9) *
• *Soma dos trabalhos e leitura do relatório científico do Colóquio (Plenária n.º
5) *
IV. PÚBLICO-ALVO
O apelo a comunicações destina-se não só a astrónomos, matemáticos, físicos,
metafísicos, teólogos, especialistas em questões de património, cultura, história,
antropologia, mas também a estudantes, decisores e responsáveis políticos,
especialistas e consultores.
V. SUBMISSÃO DOS PROJETOS DE COMUNICAÇÃO
As propostas de comunicação em francês e/ou inglês seguem dois modelos
em função do tipo de plenária e de atelier técnico escolhido: os resumos, por um
lado, e os textos inteiramente redigidos, por outro.
Para os resumos, o esquema a seguir é o seguinte: o eixo postulado; [o título
seguido de um breve resumo de 300 palavras organizado em torno das
grandes articulações da comunicação (Contexto - objetivos - metodologia --
resultados) e de no máximo 5 palavras-chave ; e as coordenadas precisas
do autor ou dos autores segundo o formato ao lado: Nomes, Sobrenome,
Instituições, endereço eletrônico, País, e Telefone].
Relativamente aos textos inteiros, só serão exigidos após validação dos resumos
submetidos, e não concernem em todo o caso senão os ateliers técnicos n.º 3,
n.º 7, n.º 8 bem como a Plenária n.º 3. Os contribuidores concernidos são
convidados a seguir as normas NorCames anexas. Os textos inteiros a submeter
serão apresentados segundo o esquema abaixo: [o título ; seguido de um
breve resumo de 200 palavras e de 3 palavras-chave ; o eixo ou eixos
postulados ; as coordenadas precisas do autor ou dos autores (como se
segue : Nomes, Sobrenome, Instituições, endereço eletrônico, País, e Telefone)
; e o artigo].
Todos os contribuidores são convidados a juntar ao(s) seu(s) projeto(s) de
comunicação um CV sucinto, colocando em relevo as principais publicações
pertinentes para efeitos das questões que serão abordadas no quadro do
colóquio, e a enviar o dossiê eletrônico assim constituído aos organizadores,
para o endereço abaixo mencionado:
1. Endereço de envio: colloquenouvelanafricain@hotmail.com
VI. CALENDÁRIO
• Publicação do apelo a comunicações: 15 de abril de 2026• Data limite de submissão dos resumos: 31 de maio de 2026
• Data limite de envio da notificação de aceitação dos resumos: 30 de junho de
2026
• Data limite de submissão dos textos de comunicação: 31 de julho de 2026
• Dias do colóquio internacional: 12 e 13 de outubro de 2026
VII. PARTICIPANTES
Para além daqueles que apresentarão comunicações, os participantes no
colóquio são os representantes dos Estados africanos, das comunidades
afrodescendentes, da Comissão da União Africana e dos órgãos competentes
da instituição continental, das instituições sub-regionais africanas, as
associações diaspóricas africanas, os académicos e os guardiões dos usos e
costumes.
VIII. ASSUNÇÃO DE ENCARGOS DOS PARTICIPANTES SELECIONADOS
As condições de assunção de encargos dos participantes no colóquio serão
comunicadas em tempo oportuno aos participantes selecionados.
IX. DATA E LOCAL DO COLÓQUIO
O colóquio internacional realizar-se-á nos dias 12 e 13 de outubro de 2026 no
Hôtel du 2 février em Lomé, no Togo.
X. ORGANIZADOR E PORTADOR DO PROJETO
O ministério dos negócios estrangeiros, da cooperação, da integração africana
e dos Togoleses no estrangeiro é o organizador e o portador do colóquio.
XI. SECRETARIADO DO COLÓQUIO
O secretariado do colóquio é assegurado por um comité técnico misto composto
por académicos e diplomatas composto como segue:
• Presidente: Sr. TSIGBE Koffi Nutefé, professor catedrático, Universidade de
Lomé
• Vice-presidente: Sr. EDJAIDE Eyana, conselheiro técnico do ministro
• Membros: Sr. EKUE Folly Gada, mestre-assistente, Universidade de Lomé; Sr.
SEDAMINOU Afognon Kouakou, coordenador do balcão diáspora; Sr. PALASSI
Konga, mestre-assistente, Universidade de Lomé; Sr. KAMELE Malemda, diretor
da cooperação internacional.
XII. COMITÉ CIENTÍFICO
Presidido pelo Professor Robert DUSSEY, o comité científico do colóquio é
composto por académicos (Egiptólogos, historiadores, teólogos, sociólogos,
filósofos, antropólogos, linguistas, matemáticos, físicos, astrónomos,
metafísicos...), diplomatas, especialistas africanos, especialistas nas questões
no cerne das preocupações desta manifestação científica. Pronunciar-se-á sobre
a recebibilidade das propostas de comunicação, procederá à instrução e àvalidação dos manuscritos recebidos e encarregar-se-á da elaboração do
relatório científico bem como das Atas do colóquio.
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THOMAS Louis-Vincent, « Temps, mythes et histoire en Afrique de l'Ouest »,
1961, in Présence africaine, En ligne sur https://doi.org/10.3917/presa.039.0012ANEXO
NORMAS CAMES
As normas que se seguem são as adotadas pelo CTS Letras e Ciências Humanas
durante a sua 38.ª sessão de consultas dos CCI, realizada em Bamaco, de 11 a 20
de julho de 2016.
1. Os manuscritos
Um projeto de texto, submetido a avaliação, deve conter um título, a assinatura
(Nome(s) e SOBRENOME(s) do autor ou autores, a instituição de vinculação), o
endereço eletrónico do(s) autor(es), o resumo em francês (250 palavras), as
palavras-chave (cinco), o resumo em inglês (do mesmo volume),
as keywords (mesmo número que as palavras-chave). O resumo deve sintetizar a
problemática, a metodologia e os principais resultados.
O manuscrito deve respeitar a estruturação habitual do texto científico:
Introdução; Problemática; Hipótese; Abordagem; Resultados e discussão;
Conclusão; Referências bibliográficas. Este esquema pode ser adaptado de
acordo com as regras de escrita da especialidade a que o texto pertence. Neste
caso, os artigos de investigação teórica serão apresentados em três momentos: a
introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Por outro lado, os artigos
resultantes de investigação empírica, à semelhança das investigações
experimentais, terão uma arquitetura: introdução, material e método, resultados
e discussão, conclusão.
As notas de rodapé, numeradas em algarismos arábicos, são redigidas em
tamanho 10 (Book Antiqua). Reduzir ao máximo o número de notas de rodapé.
Escrever os nomes científicos e as palavras emprestadas de outras línguas que
não a do artigo em itálico (Adansonia digitata).
O volume do projeto de artigo (texto a redigir no software Word, Book Antiqua,
tamanho 12, espaçamento 1,5) deve ser de 30 000 a 40 000 caracteres (espaços
incluídos).
Os títulos das secções do texto devem ser numerados da seguinte forma:
1. Primeiro nível, primeiro título (Times 12 negrito)
*1.1. Segundo nível (Times 12 negrito itálico) *
1.1.1. Terceiro nível (Times 12 itálico sem negrito)
2. As ilustrações
As tabelas, os mapas, as figuras, os gráficos, os esquemas e as fotografias devem
ser numerados (numeração contínua) em algarismos arábicos segundo a ordem
da sua aparição no texto. Devem conter um título conciso, colocado acima doelemento de ilustração (centrado). A fonte é indicada (centrada) abaixo do
elemento (tamanho 10). É importante que estes elementos de ilustração sejam
primeiro anunciados, depois inseridos e finalmente comentados no corpo do
texto.
3. Notas e referências
3.1 . As passagens citadas são apresentadas em romano e entre aspas. Quando a
citação ultrapassa três linhas, deve-se ir à linha, para apresentar a citação
(espaçamento 1) em recuo, diminuindo o tamanho da fonte em um ponto.
3.2 . As referências de citação são integradas no texto citante, conforme os casos,
da seguinte forma:
• Inicial(is) dos nomes ou do Sobrenome e do Nome do Autor, ano de publicação,
páginas citadas;
Exemplos:
• Com efeito, o objetivo prosseguido por M. Ascher (1998, p. 223), é « alargar a
história da matemática de tal sorte que ela adquira uma perspectiva multicultural
e global (...), aumentar o domínio da matemática (...) »
• Para dizer mais amplamente o que é esta capacidade da sociedade civil, que no
seu desdobramento efetivo, atesta que ela pode carregar o desenvolvimento e a
história, S. B. Diagne (1991, p. 2) escreve:
Que não se enganem: de qualquer maneira, as populações sempre souberam opor
à filosofia do enquadramento e ao seu voluntarismo as suas próprias estratégias
de contorno. Estas, por exemplo, são legíveis no dinamismo, ou pelo menos, na
criatividade de que sabe dar prova aquilo que se designa sob o nome de setor
informal e a quem será preciso dar a denominação positiva de economia popular.
- O filósofo marfinense tem razão, em certa medida, em ler, neste choque
desestabilizador, o processo do subdesenvolvimento. Assim como ele diz:
o processo do subdesenvolvimento resultante deste choque é vivido
concretamente pelas populações concernidas como uma crise global: crise
socioeconómica (exploração brutal, desemprego permanente, êxodo acelerado e
doloroso), mas também crise sociocultural e de civilização traduzindo uma
impreparação socio-histórica e uma inadaptação das culturas e dos
comportamentos humanos às formas de vida impostas pelas tecnologias
estrangeiras. (S. Diakité, 1985, p. 105).
3.3 . As fontes históricas, as referências de informações orais e as notas
explicativas são numeradas em série contínua e apresentadas em baixo de
página.3.4 Os diversos elementos de uma referência bibliográfica são apresentados como
se segue:
SOBRENOME e nome(s) do autor, Ano de publicação, Zona título, Local de
publicação, Zona Editora, as páginas (p.) dos artigos para uma revista.
Na zona título, o título de um artigo é apresentado em romano e entre aspas, o
de uma obra, de uma dissertação ou tese, de um relatório, de uma revista ou de
um jornal é apresentado em itálico. Na zona Editora, indica-se a Casa de edição
(para uma obra), o Nome e o número/volume da revista (para um artigo). No
caso de uma obra ser uma tradução e/ou uma reediçã, deve-se precisar após o
título o nome do tradutor e/ou a edição (ex: 2.ª ed.).
3.5. As referências bibliográficas são apresentadas por ordem alfabética dos
nomes de autor. Por exemplo:
Referências bibliográficas
AKIBODE Ayéchoro Koffi, 1987, Colonisation agraire et essor socio-économique dans
le Bassin de la Kara, Missão Francesa de Cooperação, Presses de l'Université du
Bénin, Lomé.
AMIN Samir, 1996, Les défis de la mondialisation, Paris, L'Harmattan.
AUDARD Cathérine, 2009, Qu'est ce que le libéralisme ? Ethique, politique, société,
Paris, Gallimard.
BERGER Gaston, 1967, L'homme moderne et son éducation, Paris, PUF.
DIAGNE Souleymane Bachir, 2003, « Islam et philosophie. Leçons d'une
rencontre », Diogène, 202, p. 145-151.
DIAKITE Sidiki, 1985, Violence technologique et développement. La question africaine
du développement, Paris, L'Harmattan.
DI MEO Guy, 2000, Géographie sociale et territoires, Paris, Nathan.
BARROS (De) Phillipe e KUEVI Dovi André, 1989, « Prospection archéologique
au Togo », in Togo-Dialogue, n°45, Lomé, p. 40-42.
DELORD Jacques, 1961, « Notes et commentaires du texte de Léo Frobenius sur
les Kabrè », in Le Monde Non-chrétien, nouvelle série, n°59-60, p. 101-172.
KOLA Edinam, 2007, « Stratégies d'adaptation à la crise et revenus paysans dans
une économie de plantation en crise : l'exemple de l'Ouest de la Région des
Plateaux au Togo », Annales de l'Université de Lomé, série Lettres et Sciences
Humaines, Tome XXVII-2, Lomé, Presses de l'Université de Lomé, p. 77-89.
O não respeito das normas editoriais pode implicar a rejeição de um projeto de
artigo.
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